Lição 01 – O Misterio da Santissima Trindade / 4 de janeiro de 2026


TEXTO ÁUREO

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mt 3.17).
 
VERDADE PRÁTICA

A doutrina da Trindade é central à fé cristã: um só Deus em três Pessoas que coexistem e atuam harmoniosamente na Obra da Redenção.
 
LEITURA DIÁRIA

 Segunda —  A Trindade revelada no batismo de Jesus

Marcos 1.9-11

⁹ E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galiléia, foi batizado por João, no Jordão.
¹⁰ E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele.
¹¹ E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo.

Terça — O Servo do Senhor em quem Deus se compraz

Isaias 42.1

¹ Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.

Quarta — A fórmula batismal trinitária na Grande Comissão

Mateus 28.19

¹⁹ Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

Quinta —  A bênção apostólica e a comunhão trinitária

2 Coríntios 13.13

¹³ Todos os santos vos saúdam.

 Sexta —  Um só Espírito, um só Senhor, um só Deus

Efésios 4.4-6

⁴ Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
⁵ Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
⁶ Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.

Sábado — A obra redentora trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo

1 Pedro 1.2

² Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 3.13-17

¹³ Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele.
¹⁴ Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
¹⁵ Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.
¹⁶ E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.
¹⁷ E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
 

1 Não desanimes, Deus proverá;
Deus velará por ti;
Sob Suas asas te acolherá;
Deus velará por ti.

Deus cuidará de ti
No teu viver, no teu sofrer;
Seu olhar te acompanhará;
Deus velará por ti.

2 Se o coração palpitar de dor,
Deus velará por ti;
Tu já provaste Seu terno amor.
Deus velará por ti.

3 Nos desalentos, nas provações,
Deus velará por ti;
Lembra-te dEle nas tentações;
Deus velará por ti.

4 Tudo o que pedes, Ele fará;
Deus velará por ti;
E o que precisas, não negará.
Deus velará por ti.

5 Como estiveres, não temas, vem!
Deus velará por ti;
Ele te entende e te ama bem!
Deus velará por ti.

Autor ou Tradutor: *** Autor desconhecido
1 Cristo Jesus é fiel amigo,
Ele só, Ele só.
E nas fraquezas está comigo,
Ele só, Ele só.

E nas lutas de cada dia,
Cristo nunca me deixa só;
Pois Ele é meu seguro guia,
Ele só, Ele só.

2 Não há amigo mais nobre e digno,
Não, não há; não, não há.
Nem mais humilde e mais benigno,
Não, não há; não, não há.

3 Ao pecador perdoar anela,
Ele só, Ele só;
E pelos Seus santos sempre vela,
Ele só, Ele só.

4 Deus, em Seu Filho, se há comprazido,
NEle só, nEle só;
Mas Sua glória me há repartido,
DEle só, dEle só.

5 NEle nós temos um firme guia,
NEle só, nEle só;
A noite enche de alegria,
Ele só, Ele só

Autor ou Tradutor: J.R José Rodrigues
1 Quem quer ir, por Jesus, a nova proclamar
Nos antros de aflição, misérias, mal e dor?
Cristãos, anunciai que o Pai quer derramar
O bom Consolador.

O bom Consolador, o bom Consolador
Que Deus nos prometeu, ao mundo Já desceu;
Ó Ide proclamar, que Deus quer derramar
O bom Consolador.

2 No mundo de horror, a luz, enfim, brilhou
Que veio dissipar as sombras de terror;
Também o nosso Pai, aos Seus fiéis mandou
O bom Consolador.

3 É o Consolador que traz a salvação
Aos que aprisionou o grande tentador:
Dizei que veio já, com todo o coração,
O bom Consolador.

4 Oh! Grande eterno amor! Oh! Gozo divina!!
Que tenho em proclamar o dom de meu Senhor
Pois mora já em mim, poder celestial,
O bom Consolador.

Autor ou Tradutor: P.L.M Paulo Leivas Macalão
 
PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO
 
Neste trimestre, estudaremos a doutrina bíblica da Trindade. Na presente lição, com base na revelação do batismo de Jesus, compreenderemos como o Pai, o Filho e o Espírito Santo coexistem em perfeita unidade e atuam conjuntamente na obra da salvação. Analisaremos a distinção e a unidade das Pessoas divinas e veremos a relevância dessa verdade para a fé e a vida cristã. Para nos auxiliar nesta tarefa, contaremos com o pastor Douglas Baptista, comentarista da lição, líder da Assembleia de Deus Missão no Distrito Federal, presidente do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e vice-presidente da Rede Assembleiana de Ensino (RAE). Teólogo, mestre em Ciências da Religião, doutor em Teologia e pós-doutor em Educação, é autor de diversas obras publicadas pela CPAD.
 
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
 
A) Objetivos da Lição: 
I) Explicar a revelação da Trindade no batismo de Jesus; 
II) Mostrar a unidade e a distinção das Pessoas divinas à luz das Escrituras; 
III) Enfatizar a importância da doutrina trinitária para a fé cristã.

B) Motivação: 
Você já participou de uma tarefa em equipe em que todos trabalhavam de forma perfeita e harmoniosa? A Trindade é um exemplo eterno de unidade e cooperação: três Pessoas distintas, mas um único Deus. Ao estudarmos esta doutrina, veremos como o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam juntos na criação, na redenção e na santificação.

C) Sugestão de Método: 
Como introdução, leia Mateus 3.13-17 com a turma. Peça aos alunos que identifiquem as três Pessoas divinas que aparecem no texto e como cada uma se manifesta. Em seguida, apresente o conceito bíblico de Trindade e destaque que a fé cristã é trinitária desde sua origem.
 
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
 
A) Aplicação: 
Devemos confessar, ensinar e viver a fé trinitária. A compreensão correta dessa doutrina preserva a verdade do Evangelho e nos conduz a uma vida de adoração e comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Negar a Trindade é distorcer a identidade do próprio Deus revelado nas Escrituras.
 
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
 
A) Revista Ensinador Cristão. 
Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: 
Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Batismo”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda o tema da revelação trinitária a partir do conceito de batismo e da importância deste episódio no ministério de Jesus; 2) O texto “Deus”, ao final do segundo tópico, aprofunda a unidade bíblica de Deus e distinção das Pessoas divinas.
 
INTRODUÇÃO
 
O batismo de Jesus retrata um dos momentos da revelação divina sobre a natureza trinitária de Deus. Nele, de maneira simultânea, as três Pessoas da Trindade se manifestam: o Filho é batizado, o Espírito Santo desce como pomba e o Pai fala dos céus. O episódio fornece uma base sólida para a doutrina da Trindade. Nesta lição, vamos abordar o mistério da Trindade sob três aspectos: a revelação no batismo de Jesus, a distinção e unidade das pessoas divinas e a relevância da Trindade para a fé cristã.
 
Palavra-Chave: TRINDADE
 
I. A REVELAÇÃO TRINITÁRIA NO BATISMO DE JESUS
 
1. O batismo do Filho: a obediência de Cristo. 
Jesus, o Deus encarnado (Jo 1.14 -  ¹⁴ E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.), desceu às águas do Jordão para ser batizado por João Batista (Mt 3.13 - ¹³ Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.). Este ato, à primeira vista, pode parecer desnecessário, já que Jesus não era um pecador (2Co 5.21 - ²¹ Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.; Hb 4.15 - ¹⁵ Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.). Contudo, Ele disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15). Jesus não precisava ser batizado como uma forma de expressar arrependimento (Mt 3.6 - ⁶ E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.). Contudo, Ele submeteu-se a essa tradição judaica, associando-se à condição dos pecadores que veio salvar (Mt 5.17 - ¹⁷ Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. ). Assim, o batismo de Jesus é um gesto de identificação com a humanidade pecadora e uma atitude de obediência ao plano redentor do Pai. Esse é o início visível da missão messiânica, que culminaria na cruz (Fp 2.8 - ⁸ E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. ).

"Doutrina Trinitária: doutrina cristã que se fundamenta na Trindade; o Deus Triuno. Um único Deus que se revela em três pessoas distintas e iguais. O Pai, o Filho e o Espírito Santo."

2. A descida do Espírito: a unção para o Ministério. 
Logo após sair das águas, Jesus viu os céus se abrirem e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea como uma pomba (Mt 3.16 - ¹⁶ E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.; Mc 1.10 - ¹⁰ Porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem.; Lc 3.22 - ²² E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.; Jo 1.32 - ³² E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.). Essa manifestação visível indicava ser Ele o Messias prometido, o Cristo, literalmente “o Ungido” de Deus (Is 11.2 - ² E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.; 42.1 - ¹ Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.). Essa unção, porém, não deve ser confundida como uma “adoção do Espírito”, como se Jesus passasse a ser o Messias naquele instante. Antes mesmo do batismo, Ele já era o Filho de Deus (Lc 1.32 - ³² Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;). Portanto, a vinda do Espírito sobre Jesus na ocasião do batismo representa sua unção pública e visível, marcando o início de seu ministério terreno e capacitando-O para cumprir a missão redentora, conforme as profecias messiânicas (Is 61.1,2 - ¹ O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; ² A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;; Lc 4.18-21 - ¹⁸ O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, ¹⁹ A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. ²⁰ E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. ²¹ Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.).

"O batismo de Jesus foi uma confirmação da unção do Espírito Santo sobre sua vida, afirmando ser Ele o Messias ao mesmo tempo que marca seu ministério terreno."

3. A voz do Pai: a aprovação celestial. 
Por fim, uma voz audível do céu proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; Lc 3.22; Mc 1.11). Trata-se de uma declaração solene e pública do Pai, que não apenas confirma a identidade messiânica, mas também a divindade de Jesus. Essa afirmação remete às mensagens messiânicas e proféticas de que Jesus é o Filho eterno, o Ungido de Deus, aquele que agrada plenamente ao Pai (Sl 2.7 - ⁷ Proclamarei o decreto: o Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.; Is 42.1). A voz celestial não inaugura sua Filiação, mas a proclama diante da humanidade, confirmando a encarnação do Verbo (Jo 1.14 - ¹⁴ E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.). Desse modo, a voz de Deus no batismo autentica não somente a missão redentora de Jesus, mas, ainda, demonstra sua Filiação divina: Ele é o Filho em quem o Pai tem completo prazer.

"A Trindade revelada no ato do batismo de Jesus confirma essa doutrina e proclama publicamente que Jesus é Deus. Ele como Deus não necessitava do batismo mas fez assim para cumprir a justiça divina e para nos deixar o exemplo."

SINOPSE I

A revelação da Trindade no batismo de Jesus confirma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo coexistem eternamente e atuam harmoniosamente na obra da redenção.

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AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
 
“BATISMO. O ritual iniciatório do cristianismo. O rito é de grande importância para conectar o indivíduo a Cristo e à comunidade maior de crentes. O batismo carrega uma igual medida de simbolismo e tradição, evocando uma conexão entre a circuncisão pactuada e a purificação ritual do AT e a regeneração e renovação do NT. O precursor imediato do batismo cristão foi o batismo de João Batista (Mt 3 e paralelos), um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados, preparando os corações dos pecadores para a vinda do Messias. Jesus, embora sem pecado algum, foi batizado por João para ‘cumprir toda a justiça’ (Mt 3.15, NVI), identificando-se assim com os pecadores e com a missão de redenção que o Pai lhe havia confiado. João havia predito que o Messias traria ‘o batismo com o Espírito e com fogo’ (Mt 3.11). Os discípulos de Jesus continuaram o batismo de João durante o seu ministério terreno (Jo 4.1,2). O batismo foi imediatamente importante na Igreja Primitiva, pois Jesus ordenara aos discípulos: ‘... fazei discípulos [...] batizando-os’ (Mt 28.19, ARA). Após a morte e a substituição de Judas, entre os ‘que conviveram conosco [...] desde o batismo de João’ (At 1.21,22). O primeiro sermão cristão foi: ‘Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado’ (2.38). Os apóstolos lideraram os novos crentes em Cristo imediatamente ao batismo (2.13,38; 8.9,10; 10.48; 16.15,33; 18.8; 19.5; 22.16).” (LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.76).
 
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
 
“DEUS É TRINO (isto é, três-em-Um) — Ele é um Deus, um único Ser (Dt 6.4; Is 45.21; 1Co 8.5,6; Ef 4.6; 1Tm 2.5), que se revelou em três Pessoas distintas (não separadas), mas inter-relacionadas e completamente unidas: Pai, Filho e Espírito Santo (p.ex., Mt 28.19; 2Co 13.14; 1Pe 1.2). Cada Pessoa é completamente divina (isto é, completamente Deus) e igual às outras; no entanto, não são três Deuses, mas apenas um Deus.” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a obra Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global, editada pela CPAD.
 
II. A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS PESSOAS DIVINAS
 
1. Unidade e distinção pessoal. 
A doutrina da Trindade afirma que Deus é uma só essência (gr. ousia), mas subsiste em três Pessoas distintas (gr. hipóstases). A Obra da Redenção, por exemplo, é trinitária em sua essência: o Pai planeja e elege (Ef 1.4 - ⁴ Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;); o Filho executa a obra expiatória (Jo 3.16 - ¹⁶ Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.; Hb 9.12 - ¹² Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.); e o Espírito aplica os benefícios da salvação (Tt 3.5 - ⁵ Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,; Rm 8.16 - ¹⁶ O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.). Assim, a unidade divina, longe de contradizer a Trindade, é enriquecida por ela, revelando um Deus que é, ao mesmo tempo, uno em essência e Triúno em Pessoa. O Deus Bíblico não é uma unidade absoluta, monolítica ou impessoal, mas sim uma unidade composta e dinâmica, eternamente subsistente em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

"O termo técnico hipóstases designa as três pessoas da Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo tendo a mesma essência divina. A união hipóstaticas de Cristo fala sobre a união divina e humana de Cristo."

2. A Pluralidade na Unidade no Antigo Testamento. 
O Antigo Testamento aponta para uma pluralidade dentro da unidade divina. O nome hebraico Elohim, plural de Eloah, é utilizado para designar o Deus único de Israel: “No princípio, criou Deus (Elohim) os céus e a terra” (Gn 1.1). No texto, o sujeito (Deus) está no plural, enquanto o verbo “criou” (bara) está no singular, indicando uma pluralidade pessoal em uma única essência divina. Essa estrutura gramatical incomum reaparece em outros textos bíblicos (cf. Gn 1.26 - ²⁶ E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.; 3.22 - ²² Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,; 11.7 - ⁷ Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.; Is 6.8 - ⁸ Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.). Essas passagens evidenciam que o monoteísmo do AT não nega a Trindade, mas admite pluralidade interna na divindade. Assim sendo, a doutrina da Trindade não contraria a unidade de Deus conforme revelada nas Escrituras, mas a completa e a qualifica.

"Monoteísmo, crença e adoração em um único Deus. As maiopres religiões monoteístas do mundo são: Cristianismo, Judaismo e Islamismo, onde as três creem no mesmo Deus Pai." 

3. A Trindade Explicitada no Novo Testamento. 
A Trindade não é vista como três deuses, mas como três Pessoas em um único Deus. Por exemplo, na fórmula batismal “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19); o substantivo singular “nome” (Gr. ónoma), indica uma só essência, seguida por três Pessoas distintas. O mesmo ocorre na bênção apostólica “a graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos” (2Co 13.13); esse texto associa as três Pessoas de modo equitativo. Ainda, as Escrituras afirmam que fomos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe 1.2); aqui a participação das três Pessoas divinas na obra da salvação é nitidamente evidenciada. E Paulo acrescenta “há um só corpo e um só Espírito... um só Senhor... um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6); essa tríade (Espírito, Senhor, e Deus Pai) reflete obviamente a estrutura trinitária da divindade.

"A crença na Trindade é um mistério, portanto sua aceitação é pela fé, não pela razão. É pela revelação divina, não por conceitos ou filosofias humanas."
 
SINOPSE II

A unidade e a distinção das Pessoas divinas mostram que a Trindade não é três deuses, mas um só Deus em essência, revelado como Pai, Filho e Espírito Santo.

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AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
 
“DEUS. O nome pessoal de Deus mais importante é Yahweh (YHWH), que é traduzido na maioria das bíblias por ‘O Senhor’. Na sarça ardente, no deserto de Horebe, Deus primeiramente revelou a Moisés o seu nome pessoal em forma de sentença: ‘EU SOU O QUE SOU’ (Êx 3.13-15). Embora ponto de debate, o nome divino “YHWH” parece originar-se de uma forma abreviada dessa frase. Jeová, que falou com Moisés e com seu povo na época do Êxodo, é o Deus que estava com Abraão, Isaque, Jacó. De acordo com o testemunho de Jesus, ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’ é identificado como o Deus ‘dos vivos’ (Mt 22.32). [...] O Deus cristão da Bíblia é o Deus trino. Deus é um, porém existe em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito (Mt 28.19). O Filho é um com o Pai (Jo 10.30) e é identificado também como ‘Filho do homem’ e ‘Senhor’ e ‘Deus’ (Mt 1.25; Jo 20.28; 2Co 3.17,18; Gl 3.28; 5.3,4; 10.16; 1Tm 3.16; Tt 2.13; 2Pe 1.1). Todos os três compartilharam a mesma obra da criação (Gn 1.1-3), salvação (1Pe 1.2), habitação (Mt 28.18-20; At 16.6; Jo 14.17; 1Co 3.9,16).” (LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.76).
 
III. A RELEVÂNCIA DA TRINDADE PARA A FÉ CRISTÃ
 
1. Desenvolvimento doutrinário da Trindade. 
A doutrina da Trindade não é uma elaboração tardia da fé cristã, ela emerge das Escrituras como a revelação progressiva do Deus vivo (Dt 6.4 - ⁴ Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.; Mc 12.29 - ²⁹ E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.; Rm 1.3,4 ‐ ³ Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, ⁴ Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,; Is 7.14 - ¹⁴ Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.; Jo 16.13 - ¹³ Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.; 2Co 3.17 - ¹⁷ Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.). Sua plena compreensão foi definida nos primeiros séculos da Igreja. O Concílio de Niceia (325 d.C.) proclamou que o Filho é “da mesma substância” (gr. homoousios) do Pai, condenando a ideia de que Ele fosse uma criatura exaltada. O Concílio de Constantinopla (381 d.C.) completou a formulação trinitária ao afirmar a divindade do Espírito Santo. Desde os primeiros séculos, estudiosos da fé cristã têm ensinado a perfeita unidade em Deus, sem confundir a identidade de cada Pessoa divina. Assim, aprendemos que o Pai, eterno e não gerado, é a fonte; o Filho é gerado do Pai; e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Desse modo, o apóstolo Paulo ensina a natureza trinitária da espiritualidade cristã: o cristão ora ao Pai, por meio do Filho, no poder do Espírito Santo (Ef 2.13,18).

2. Implicações doutrinárias. 
A negação da Trindade resultou em heresias. O triteísmo (crença em três deuses separados) viola a unidade de Deus, pois a Bíblia revela a existência de “um só Deus” (1Co 8.6). O unitarismo afirma que somente o Pai é Deus, negando a divindade de Cristo e do Espírito Santo, contrariando as Escrituras que ensinam a divindade de ambos (Jo 1.1 - ¹ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.; At 5.3,4 - ³ Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? ⁴ Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.). O unicismo (ou modalismo), ensina que Deus se manifesta em três formas sucessivas, porém, no batismo de Jesus está claro que as três Pessoas são distintas e se manifestaram simultaneamente (Mt 3.16,17). Assim sendo, o monoteísmo bíblico ensina que “há um só Deus que subsiste em três Pessoas distintas”. A compreensão distorcida dessa doutrina tem sérias implicações para a salvação: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A doutrina da Trindade é inseparável do Evangelho, pois o Deus que salva é o mesmo Deus que se revela.
 
SINOPSE III

A doutrina da Trindade é indispensável para a fé cristã, pois revela o Deus que salva e garante a integridade do Evangelho.

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CONCLUSÃO
 
Compreender a Trindade é fundamental para manter a fidelidade doutrinária. Ela não apenas protege a integridade da revelação de Deus, mas também sustenta toda a estrutura da salvação. Crer na Trindade é crer no Deus que salva e que se manifesta plenamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso, a doutrina da Trindade deve ser confessada, celebrada e ensinada como um fundamento inegociável da fé cristã.
 
REVISANDO O CONTEÚDO
 
1. Por que Jesus desceu às águas do Jordão para ser batizado por João Batista, se Ele não precisava ser batizado como expressão de arrependimento?
Porque Ele quis identificar-se com os pecadores e cumprir toda a justiça.
 
2. O que significava a manifestação visível do Espírito no batismo de Jesus?
Foi a unção pública e visível para o início do seu ministério messiânico.
 
3. O que afirma a doutrina da Trindade no que diz respeito à unidade e distinção pessoal de Deus?
Que Deus é um só em essência, mas subsiste em três Pessoas distintas.
 
4. Qual a relevância do desenvolvimento doutrinário da Trindade para a fé cristã?
Preservar a verdade do Evangelho e a integridade da revelação de Deus.
 
5. Explique a diferença entre triteísmo, unitarismo e unicismo.
O triteísmo crê em três deuses separados; o unitarismo nega a divindade do Filho e do Espírito; o unicismo ensina que Deus se manifesta em modos diferentes, mas não como Pessoas distintas.

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REVISTA ENSINADOR CRISTÃO
O MINISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE
 
Caríssimo(a) professor(a), a santa paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo seja com você! Estamos iniciando um novo trimestre de estudos com a revista Lições Bíblicas Adultos, editada pela CPAD. Nesta nova oportunidade, estudaremos sobre a natureza de Deus, que se revela em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Na Teologia, essa doutrina é conhecida como Doutrina da Trindade.
A estudo sobre a natureza trinitária de Deus é um dos ensinamentos mais importantes da fé cristã. Ele elucida, à luz das Escrituras, a revelação divina a partir das três Pessoas gloriosas que coexistem e atuam harmoniosamente na obra de redenção da humanidade. De modo sucinto, a base da doutrina da Trindade consiste em afirmar que o nosso Deus é um só em essência e triúno em pessoa. Trata-se de uma unidade composta, dinâmica e eterna que subsiste em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo (Ef 1.4; Jo 3.16; Rm 8.16). Compreender esse aspecto é fundamental para lidarmos com as falsas doutrinas que tentam negar a existência da Trindade e distanciar os indoutos da verdadeira fé em Deus. Dentre esses falsos ensinamentos que persistem em nossos dias está o unicismo.
O pastor Esequias Soares, na sua obra Manual de Apologética Cristã, editada pela CPAD, discorre que os unicistas “no Oriente eram chamados sabelianistas, pois o heresiarca Sabélio foi quem mais se destacou na propagação dessa heresia. Sabélio defendia uma forma inadequada da Trindade, ensinando que o Pai, o Filho e o Espírito Santo eram apenas três aspectos da Divindade, sendo, portanto, uma mesma Pessoa, ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo seriam nomes diferentes de uma mesma Pessoa. [...] O Credo Atanasiano, no seu quarto artigo de fé, afirma: ‘Não confundimos as Pessoas, nem separamos a substância’. Os unicistas confundem as Pessoas, mutilando a personalidade do Pai e do Filho com a doutrina das ‘manifestações’, que é uma maneira camuflada de negar Jesus como o Filho de Deus. A Bíblia diz que negar o Pai e o Filho traz a condenação [...] (1Jo 2.22,23)” (2002, pp.317,319).
A negação da existência da Trindade é uma das formas de afastar os cristãos do conhecimento de quem é Deus e, consequentemente, de como devemos nos relacionar com Ele. Portanto, conhecer profundamente esta doutrina é crucial para que não sejamos enganados.

Pb. Rogério Faustino 
Neweb 

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