Lição 12 – O Filho e o Espírito / 22 de março de 2026
TEXTO ÁUREO
“E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lc 1.35).
VERDADE PRÁTICA
O Filho de Deus cumpriu seu ministério em plena dependência do Espírito, revelando que a Obra redentora é trinitária: o Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita.
LEITURA DIÁRIA
Terça — O Filho Eterno se encarnou em perfeita submissão ao plano trinitário
Quarta — O Espírito não busca glória própria, mas revela e exalta o Filho
Quinta — Os milagres de Jesus foram realizados no poder do Espírito
Sexta — O Espírito capacitou Jesus em toda a sua missão terrena
Sábado — Maria é modelo de fé e submissão à vontade de Deus
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 1.26-38.
²⁷ a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
²⁸ E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
²⁹ E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta.
³⁰ Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus,
³¹ E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
³² Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,
³³ e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.
³⁴ E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?
³⁵ E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
³⁶ E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril.
³⁷ Porque para Deus nada é impossível.
³⁸ Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
Neweb Harpa Cristã - Compromisso com o louvor cristão
1 Meu Jesus, Tu és bom;
Tu és tudo pra mim!
Foste morto, mas vives em mim;
Tu mereces louvor,
Ó Cordeiro de Deus!
Tu és tudo, sim, tudo p'ra mim!
2 Quero a Ti dar louvor,
Pois és Rei sobre reis;
Tu és tudo, mas nada eu sou;
Enche meu coração
De ternura e paz;
Honra eterna e glória Te dou.
3 O Teu nome é amor,
Pois Tu amas a mim,
E eu quero andar neste amor;
Triunfante estou,
Confiando em Ti,
Meu Jesus, grande Consolador.
4 Ó Ungido de Deus,
Trazes paz e perdão;
Salvação, vida, tens para os Teus;
Que mensagem do céu
E de transformação,
Enviada do trono de Deus!
Autor ou Tradutor: J.Car Joel Carlson
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Desde a concepção milagrosa do Filho até a sua glorificação, o Espírito está presente, revelando que a obra redentora é trinitária. Nesta lição, veremos como o Espírito Santo agiu na concepção, capacitação e missão de Jesus, e como essa verdade se aplica à nossa vida cristã.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
I) Mostrar que a concepção de Jesus foi obra sobrenatural do Espírito Santo;
II) Explicar que Jesus viveu e realizou seu ministério em plena dependência do Espírito;
B) Motivação:
Inicie a aula escrevendo no quadro três expressões: Concepção — Capacitação — Cooperação. Peça que os alunos digam rapidamente o que cada palavra lhes faz lembrar na vida de Jesus. Depois explique que essas três palavras resumem a relação entre o Filho e o Espírito: I) Concepção: o Espírito foi o agente da encarnação (Lc 1.35); 2) Capacitação: Jesus realizou milagres e ensinou pelo poder do Espírito (Mt 12.28); 3) Cooperação: a Trindade age unida na salvação — o Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita. Finalize incentivando os alunos a dependerem do Espírito em todas as áreas da vida cristã.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
Jesus viveu em perfeita obediência ao Pai e na dependência do Espírito. Isso nos ensina que a vida cristã não se apoia apenas em esforço humano, mas no agir do Espírito Santo.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
Essa revista traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Concepção e Batismo”, localizado depois do primeiro tópico, aponta para a reflexão a respeito do papel do Espírito Santo na concepção virginal de Jesus Cristo; 2) O texto “Jesus e a Obra do Espírito”, ao final do segundo tópico, aprofunda o tema do relacionamento de Jesus com o Espírito Santo.
INTRODUÇÃO
O plano da salvação é uma ação coordenada pela Santíssima Trindade. Desde a concepção do Filho, sua obra redentora no Calvário e a ressurreição dentre os mortos, o Pai, o Filho e o Espírito atuam em perfeita unidade. Essa lição revela como o Espírito Santo participa ativamente da encarnação, capacitação e exaltação do Filho, e mostra a resposta esperada do crente à obra de Redenção.
Palavra-Chave: DEPENDÊNCIA
I. O ESPÍRITO E A CONCEPÇÃO DO FILHO
Lucas registra que o anjo Gabriel foi enviado por Deus à cidade de Nazaré, na Galileia (Lc 1.26 - ²⁶ E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,). O mensageiro visita uma jovem chamada Maria (Lc 1.27 - ²⁷ A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.) e lhe faz uma revelação surpreendente: “E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho” (Lc 1.31a). E, ainda, lhe diz o nome da criança: “pôr-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1.31b). Gabriel, também declara que o menino “será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). Maria demonstra perplexidade, não entende como isso poderia acontecer, uma vez que era virgem (Lc 1.34 - ³⁴ E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum?). A esse respeito o anjo lhe assegura: “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). Na sequência, o texto afirma que ela creu e, na mais completa confiança e submissão declarou: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38).
A explicação que o anjo faz a Maria, de como seria a concepção, é singular e miraculosa: “descerá sobre ti o Espírito Santo” (Lc 1.35a). A resposta é expressa por meio de uma figura de linguagem, em que a segunda linha repete a ideia da primeira. Assim, o “Espírito Santo” está vinculado à “virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1.35b). Como já estudado, a sombra refere-se à presença de Deus (Êx 40.35 - ³⁵ De maneira que Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo.), reporta-se à nuvem da presença divina na transfiguração (Lc 9.34 - ³⁴ E, dizendo ele isto, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e, entrando eles na nuvem, temeram.), e sinaliza o poder criativo do Espírito de Deus (Gn 1.2 - ² E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.; Sl 104.30 - ³⁰ Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra.). Logo, reitera-se que a sombra do Espírito é protetiva e criadora. Desse modo, elucida o anjo, a concepção será obra do Espírito Santo pelo poder do Altíssimo, e por isso, “será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35d).
O anjo afirma que o Filho que nasceria de Maria seria “Santo” (Lc 1.35c). A palavra “santo” (gr. hágios) indica separação do pecado e consagração ao serviço divino. No caso de Jesus, designa um atributo divino (Sl 99.9 - ⁹ Exaltai ao Senhor nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o Senhor nosso Deus é santo). Ele já nasceu santo, assumiu a carne, mas não o pecado (Hb 4.15 - ¹⁵ Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.). Ele é o segundo Adão, obediente e justo (Rm 5.19 - ¹⁹ Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.). O Espírito também O consagrou para ser o Cordeiro sem defeito e imaculado (1 Pe 1.19 - ¹⁹ Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,). A santidade do Filho é a base de nossa redenção, justificação e santificação. Somente Ele foi capaz de cumprir a Lei (Mt 5.17 - ¹⁷ Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir.); e de oferecer-se como sacrifício perfeito (Hb 10.10 - ¹⁰ Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.). Assim como Jesus foi concebido pelo Espírito, os crentes também nascem espiritualmente pelo mesmo Espírito, que nos santifica à imagem do Filho (Rm 8.29 - ²⁹ Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.).
SINOPSE I
A concepção de Jesus foi sobrenatural, realizada pelo Espírito Santo, revelando a santidade do Filho.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
CONCEPÇÃO E BATISMO
“Jesus está em profundo relacionamento com a terceira Pessoa da Trindade. Já de início, o Espírito Santo leva a efeito a concepção de Jesus no ventre de Maria (Lc 1.34,35). O Espírito Santo veio sobre Jesus no seu batismo (Lc 3.21,22). Nessa ocasião, o relacionamento entre ambos assume um novo aspecto, que somente pela encarnação seria possível. Lucas 4.1 deixa claro que esse revestimento do Espírito Santo preparou Jesus para enfrentar Satanás no deserto e para a inauguração de seu ministério terrestre. O batismo de Jesus tem desempenhado um papel crucial na cristologia, e devemos examiná-lo com profundidade. James Dunn argumenta que Jesus foi adotado como o Filho de Deus no seu batismo. Por isso, para Dunn, o significado de Lucas 3.22 é a iniciação de Jesus na filiação divina.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.332,333).
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
O ESPÍRITO OPEROU NO NASCIMENTO DE JESUS
“Tanto Mateus quanto Lucas declaram, claramente e de forma inequívoca, que Jesus entrou neste mundo como resultado de um ato miraculoso de Deus. Ele foi concebido pelo Espírito Santo (ou seja, sem que tenha havido uma união sexual entre um homem e uma mulher), e nasceu de uma virgem, chamada Maria (Mt 1.18,23; Lc 1.27).” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a obra Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global, editada pela CPAD.
II. O FILHO E A SUA RELAÇÃO COM O ESPÍRITO
Ao assegurar que o Verbo se fez carne, a Escritura revela o mistério do Filho (Jo 1.14 - ¹⁴ E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.). Porém, o Verbo não começou a existir em Maria, pois Ele é Eterno, anterior à criação, coigual com o Pai e o Espírito (Jo 1.1-3 - ¹ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. ² Ele estava no princípio com Deus. ³ Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.). Isso indica que, na plenitude dos tempos, o Verbo assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus (Gl 4.4 - ⁴ Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,). Ele submeteu-se, voluntariamente às limitações humanas, mas manteve a sua essência divina. Enquanto homem, Jesus não usou plenamente seus atributos divinos, exceto quando o Pai o permitia pelo Espírito (Lc 4.18,19 - ¹⁸ O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, ¹⁹ A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.; Jo 5.19 - ¹⁹ Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.; At 10.38 - ³⁸ Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.). Dessa forma, a obra foi operada pelo Espírito Santo (Mt 1.20 - ²⁰ E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo;; Lc 1.35 - ³⁵ E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.), demonstrando a perfeita harmonia entre o Filho e o Espírito na execução do plano redentor do Pai.
Embora sendo Deus, em seu ministério terreno, Jesus agia como homem cheio do Espírito. Cada palavra proferida (Jo 3.34 - ³⁴ Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.), cada milagre realizado (Lc 5.17 - ¹⁷ E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galiléia, e da Judéia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava ali para os curar.), cada demônio expulso (Lc 11.20 - ²⁰ Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus.) e cada perdão ministrado (Lc 5.24 - ²⁴ Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa.) eram o resultado de uma vida conduzida pelo Espírito Santo (Mt 12.28 - ²⁸ Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.). Sua ação salvadora era guiada e sustentada pelo Espírito (Lc 4.18 - ¹⁸ O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,). Ele não veio com ostentação, mas em humildade, movido por compaixão divina (Fp 2.5-7 - ⁵ De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, ⁶ Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, ⁷ Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;). O Espírito lhe capacitava com sabedoria, inteligência, poder e direção (Is 11.2 - ² E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.). Esse padrão mostra que até mesmo o Verbo encarnado escolheu depender do Espírito de Deus (Mt 4.1 - ¹ Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.). É também um modelo para todo o verdadeiro cristão. Toda obra espiritual deve ser realizada no poder e na direção do Espírito (At 1.8 - ⁸ Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.).
Como observado, o ministério de Jesus foi marcado pela dependência do Espírito. Isso não nega sua divindade, mas exalta sua humildade na encarnação. Seu batismo foi confirmado pelo Espírito e pela voz do Pai, como manifestação da Trindade (Lc 3.22 - ²² E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.). No deserto, pelo Espírito, venceu a tentação como o novo Adão (Mt 4.1; 1 Co 15.45 - ⁴⁵ Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.). A unção do Espírito sustentou seu ministério (Mt 12.18-21 - ¹⁸ Eis aqui o meu servo, que escolhi,o meu amado, em quem a minha alma se compraz;porei sobre ele o meu espírito,e anunciará aos gentios o juízo. 19 Não contenderá, nem clamará,Nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz; ²⁰ Não esmagará a cana quebrada,enão apagará o morrão que fumega,até que faça triunfar o juízo; ²1 E no seu nome os gentios esperarão.). Seus milagres operados em comunhão com o Espírito revelaram o Reino de Deus (Mt 12.28 - ²⁸ Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.). Em sua humanidade, submeteu-se ao Pai e agiu no poder do Espírito (Jo 6.38 - ³⁸ Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.). A entrega na cruz e a vitória sobre a morte foram realizadas em cooperação com o Espírito (Rm 8.11 - ¹¹ E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.; Hb 9.14 - ¹⁴ Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?). Assim, mesmo sendo Deus, viveu em plena obediência ao Pai e capacitado pelo Espírito.
SINOPSE II
Durante toda a sua vida terrena, Jesus viveu em plena dependência do Espírito Santo.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
JESUS E A OBRA DO ESPÍRITO
“Jesus é a figura chave no derramamento do Espírito Santo. Depois de levar a efeito a redenção mediante a cruz e a ressurreição, Jesus subiu ao Céu. De lá, juntamente com o Pai, Ele derramou e continua derramando o Espírito Santo em cumprimento à promessa profética de Joel 2.28,29 (cf. At 2.23). Essa é uma das maneiras mais importantes de hoje conhecermos Jesus: na sua qualidade de Doador do Espírito. A força cumulativa do Novo Testamento é bastante relevante. A cristologia não é apenas uma doutrina para o passado. E a obra sumo-sacerdotal de Jesus não é único aspecto da sua realidade presente. O ministério de Jesus, e de ninguém mais, é propagado pelo Espírito Santo no tempo presente.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.333,334).
III. A TRINDADE E A MISSÃO REDENTORA
A salvação é iniciativa do Pai. Ele é a fonte de todo propósito redentor (Jo 3.16 - ¹⁶ Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.). O Pai envia o Filho ao mundo, não apenas como mensageiro, mas como oferta viva (Gl 4.4,5 - ⁴ Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, ⁵ Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.). O Filho, o Verbo Eterno, assume a carne para cumprir perfeitamente a Lei e tomar sobre Si a condenação do pecado (2 Co 5.21 - ²¹ Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. ). O Espírito, por sua vez, não é agente passivo, mas ativo desde o princípio: Ele concebe o Filho no ventre de Maria (Lc 1.35 - ³⁵ E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.), acompanha-O em cada passo do seu ministério (At 10.38 - ³⁸ Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.), e aplica os méritos da redenção nos corações dos crentes (1 Co 2.10 - ¹⁰ Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus.). Essa cooperação revela a atuação da Trindade no plano da salvação: o Pai decreta, o Filho executa e o Espírito aplica (1 Pe 1.2 - ² Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.). A redenção é, portanto, uma expressão do amor trinitário em missão (1 Jo 4.9 - ⁹ Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.).
João explica que a missão do Espírito não é atrair atenção para si, mas revelar e exaltar o Filho. Jesus Cristo afirmou: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.14). Esclarece-se que o Espírito não busca glória própria, mas dá testemunho do Filho (Jo 15.26 - ²⁶ Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.). A direção do Espírito está, portanto, ligada principalmente à revelação do mistério da salvação, do Cristo crucificado e ressuscitado, que um dia voltará para buscar sua Igreja (1 Co 2.10 - ¹⁰ mas Deus o revelou a nós por meio do Espírito. O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus.). Assim, toda obra genuína do Espírito é profundamente cristocêntrica. Portanto, como Igreja, devemos discernir as manifestações espirituais à luz da Bíblia (1 Jo 4.1,2 - ¹ Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. ² Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;). Tudo o que não aponta para Cristo não procede do Espírito. Cristo é o centro da obra do Espírito (Jo 16.13 - ¹³ Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.).
O plano da redenção, embora concebido e executado pela Trindade, requer uma resposta humana (Ef 2.8 - ⁸ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.). Não somos agentes da redenção, mas somos seus recipientes e participantes (2 Co 5.18 - ¹⁸ E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;). Maria, ao ouvir a mensagem do anjo sobre a concepção milagrosa, mesmo sem entender plenamente, submeteu-se com fé (Lc 1.38 - ³⁸ Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.). Sua resposta é um exemplo profundo da postura que todo crente deve assumir diante da obra trinitária, isto é, confiar com humildade e entrega total (Sl 37.5 - ⁵ Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará.). Assim como o Filho se submeteu ao Pai e foi ungido pelo Espírito, também o crente é chamado a se colocar nas mãos de Deus, crendo que Ele é poderoso para fazer o impossível (Lc 1.37 - ³⁷ Porque para Deus nada é impossível.). A resposta que Ele espera de nós é fé (Hb 11.6 - ⁶ Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.), arrependimento (At 17.30 - ³⁰ Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;) e obediência (Tg 1.22 - ²² E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.).
SINOPSE III
A obra da redenção é trinitária: o Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita.
CONCLUSÃO
Reiteramos que a Redenção é uma obra trinitária que revela a perfeita unidade e cooperação entre as Pessoas divinas. O Filho, embora sendo Deus, submeteu-se ao Pai e agiu no poder do Espírito. Ao contemplarmos essa harmonia divina, somos convidados a uma resposta de fé genuína em Cristo, submissão voluntária à vontade do Pai, e obediência perseverante à direção do Espírito Santo em nosso viver diário.
REVISANDO O CONTEÚDO
A palavra “santo” significa separação do pecado e consagração a Deus.
A santidade de Cristo é a base da nossa redenção, justificação e santificação.
O Verbo encarnado escolheu depender do Espírito, que lhe concedia sabedoria, poder e direção.
A missão do Espírito é glorificar e exaltar o Filho.
Deus espera de nós fé, arrependimento e obediência.
REVISTA ENSINADOR CRISTÃO
O FILHO E O ESPÍRITO
Nesta lição, veremos mais uma vez a Trindade desempenhando um papel importante no cumprimento do propósito eterno para salvação da humanidade. Assim como na lição anterior estudamos que o Pai atua em parceria com o Espírito para confirmar a nossa filiação, nesta lição veremos que o Filho exerceu Seu ministério terreno na dependência do Espírito Santo, revelando que a obra redentora é uma ação coordenada pela Trindade. O Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita. A atuação do Espírito na condução do Filho para cumprir Sua missão redentora era indispensável (At 10.38). Essa atuação contou com a submissão e humildade do Filho em se permitir ser conduzido pelo Espírito (Hb 5.7-9). Isso mostra que, mesmo sendo Deus, as três pessoas da Trindade atuam de maneira distinta, porém coordenada. Para compreender melhor a atuação do Espírito na condução do Filho, devemos ter em mente o papel ensinador do Espírito. Conforme a obra Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal (CPAD), “ainda há outro aspecto da obra do Espírito Santo como Ensinador: a preparação de Jesus, o Filho encarnado de Deus, para sua tarefa de Rei, Sacerdote e Cordeiro sacrificial. O Espírito Santo veio sobre Maria e lançou a sua sombra sobre ela, gerando nela Jesus, o Filho de Deus. O Espírito Santo foi ensinando o Menino Jesus de tal maneira que, aos 12 anos de idade, deixou atônito os mestres no Templo: ‘E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele’ (Lc 2.40). Depois de seu batismo no Jordão, Jesus que, segundo a descrição, estava cheio do Espírito Santo, lutou contra o Adversário durante quarenta dias (Lc 4.1-13). Jesus continuou a andar cheio do Espírito Santo. Por isso, sempre que o Diabo buscou oportunidade para tentá-lo ainda mais, os resultados foram os mesmos. Jesus ‘como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado’ (Hb 4.15; 2.10-18). Se estivermos cheios do Espírito Santo na luta contra nossa carne e contra o Aversário, também poderemos vencer nossas tentações com a ajuda do Espírito. Cristo veio para nos salvar dos nossos pecados, e não deles” (2021, p.399). Observe que a condução do Espírito Santo na vida e ministério do Filho em momento algum anula Seu papel na Trindade ou nega Sua natureza divina. Ao abordarmos esses fatos em nossas classes, é importante enfatizar sempre que cada Pessoa da Trindade exerce Seu papel de maneira individual, mas coordenada com as demais. Essa atuação é vista de maneira muito clara na vida de Jesus, desde Seu nascimento até a realização de Seu ministério terreno, e revela o propósito de Deus em cada detalhe da Sua missão redentora.

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