Lição 13 – A Trindade Santa e a Igreja de Cristo / 29 de março de 2026
TEXTO ÁUREO
“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mt 28.19).
VERDADE PRÁTICA
A redenção da Igreja é uma obra conjunta da Trindade: o Pai elege, o Filho redime e o Espírito santifica, sustentando a fé e a missão da Igreja no mundo.
LEITURA DIÁRIA
Terça — Deus nos escolheu em Cristo desde a eternidade com o propósito de uma vida santa
Quarta — A comunhão com Cristo e entre os crentes é sustentada pelo sangue purificador de Jesus
Quinta — A obra do Espírito é essencial para a salvação e perseverança na fé
Sexta — A comunhão contínua com Cristo é indispensável para uma vida frutífera
Sábado — A Trindade atua em favor da Igreja com graça, amor e comunhão permanente
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
2 Coríntios 13.11-13
¹² Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todos os santos vos saúdam.
¹³ A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!
1 Pedro 1.2,3
³ Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
1 Adorai o Rei do Universo!
Terra e céus, cantai o Seu louvor!
Todo o ser no grande mar submerso,
Louve ao Dominador!
Todos juntos O louvemos!
Grande Salvador e Redentor!
Todos O louvemos!
Régio Dominador!
2 Adorai-O, anjos poderosos,
Vós que Sua glória contemplais!
Vós, remidos, já vitoriosos;
Graças, rendei-Lhe mais!
3 Sol e lua, coros estelares,
Sua majestade anunciai,
Hostes grandes, centos de milhares,
O Seu poder mostrai!
4 Ventos! Chuvas! Raios! Trovoadas!
Revelai o forte Criador!
Vós dizeis, ó serras elevadas,
Quão grande é meu Senhor!
5 Altos cedros! Grama verdejante!
Esta sinfonia aumentei;
Aves, vermes, todo o ser gigante;
Gratos a Deus louvai!
6 Homens! Jovens! Velhos e meninos!
Adorai ao vosso Redentor!
Reis e sábios, grandes, pequeninos,
Dai-Lhe veraz louvor!
Autor ou Tradutor: E.W Ernesto Wootton
1 Nós abrimos este culto
Em Teu nome, ó Jesus Cristo!
Ao pequeno e ao adulto,
Luz divina vem dar por isso;
Gozaremos em Tua face,
Ó Cordeiro ressuscitadol
Com doçura, sim, nos enlaces,
Pra ouvir o que nos for dado
2 Ó nos manda Tua Palavra
Pelo Teu Espírito Santo,
Que no peito um fogo lavra,
Que enxuga também o pranto;
Nosso Pai, nós Te suplicamos
Nova vida pra Tua Igreja;
Ó não tardes, pois desejamos
Que pureza em nós Tu vejas.
3 Abençoa, ó Deus Santo,
Os Teus servos em todo o mundo;
Abençoa o nosso canto
E dá vida aos moribundos;
Abençoa aos cordeirinhos,
A família dos Teus amados,
Como ave, que no seu ninho.
Tem seus filhos bem abrigados.
Autor ou Tradutor: P.L.M Paulo Leivas Macalão
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
A Trindade é a base da fé cristã e o fundamento da vida e missão da Igreja. Pai, Filho e Espírito Santo atuam em perfeita unidade na eleição, redenção, santificação e envio da Igreja ao mundo. Nesta lição, veremos como a Igreja nasce, cresce e cumpre sua missão pela comunhão com o Deus Triúno.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
I) Mostrar a atuação do Pai, do Filho e do Espírito no Plano Redentor;
II) Explicar que a comunhão da Igreja só é possível pela ação trinitária;
III) Destacar que a missão da Igreja é fruto do envio e capacitação da Trindade.
O Pai nos amou, o Filho nos redimiu e o Espírito nos santifica e envia. Se a Igreja é trinitária em sua origem e essência, nós, como membros do corpo de Cristo, devemos viver em comunhão com o Pai, permanecer em Cristo e andar no Espírito. Isso motiva cada aluno a reconhecer a graça de ser parte de um povo trinitário e a assumir com alegria a missão que nos foi confiada.
No início da aula, escreva no quadro três palavras: Eleição — Redenção — Santificação. Pergunte aos alunos quem realiza cada uma dessas obras. Depois mostre que todas pertencem à Trindade: o Pai elege, o Filho redime e o Espírito santifica. Em seguida, acrescente outra tríade: Amor — Graça — Comunhão (2Co 13.13). Explique que a vida cristã é sustentada pelo amor do Pai, pela graça de Cristo e pela comunhão do Espírito. Finalize incentivando os alunos a viverem diariamente nessa realidade trinitária.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A Igreja não é fruto do acaso, mas do plano eterno do Pai, realizado pelo Filho e aplicado pelo Espírito. Isso nos ensina que a vida cristã não é possível sem comunhão com o Deus Triúno. Assim como fomos chamados, santificados e enviados pela Trindade, devemos viver em unidade e cumprir nossa missão com dependência do Espírito, amor ao Pai e fidelidade a Cristo.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “O Papel do Espírito na Trindade Redentora”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda o tema do plano redentor operado pela Trindade Santa; 2) O texto “A Missão da Igreja”, ao final do terceiro tópico, aprofunda o tema do comissionamento da Igreja pela Santíssima Trindade.
INTRODUÇÃO
A Trindade é uma doutrina fundamental da fé cristã e, também, a base da existência e da missão da Igreja. Ela revela o agir cooperativo do Pai, do Filho e do Espírito, de forma harmoniosa na criação, redenção, santificação e na comunhão da Igreja. Essa lição visa mostrar como a Trindade sustenta, guia e envia a Igreja para o cumprimento do seu papel no mundo. Compreender essa verdade fortalece nossa identidade como povo de Deus.
Palavra-Chave: TRINDADE
I. A TRINDADE E O PLANO REDENTOR
Deus elegeu a Igreja desde a eternidade (Ef 1.4 - ⁴ Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;). Esse plano precede a nossa existência, pois fomos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1 Pe 1.2a). O termo “presciência” (gr. proginōskō) significa “conhecer de antemão” (Rm 11.2 - ² Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu. Ou vocês não sabem como Elias clamou a Deus contra Israel, conforme diz a Escritura?, NVT). Aponta para o conhecimento prévio de Deus, que sabe de todas as coisas antes de elas acontecerem. Assim, Deus elegeu de antemão aqueles que Ele soube que iriam crer e perseverar em Cristo (Rm 8.29 - ²⁹ Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.).
A Igreja é o resultado direto da obra redentora do Filho. Nela, os crentes são chamados por Deus e reconhecidos como “eleitos segundo a presciência de Deus Pai [...] e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pe 1.2). Nesse enunciado, temos a atuação do Pai, que elege, e do Filho, que redime com seu sangue. A frase “aspersão de sangue” remete ao ritual do Antigo Testamento, em que o sangue do sacrifício estabelecia uma aliança, e a aspersão concedia benefícios aos adoradores (Êx 24.8 - ⁸ Então tomou Moisés aquele sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor tem feito convosco sobre todas estas palavras.). Do mesmo modo, Cristo estabelece uma Nova Aliança com seu próprio sangue, para a remissão dos pecados (Hb 9.13-15 - ¹³ Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, 14 Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? 15 E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.). Ele amou a Igreja e voluntariamente morreu por ela e no lugar dela (Ef 5.25 - ²⁵ Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,). Esse ato é substitutivo, único, definitivo e eficaz, cujo efeito reconcilia o homem com Deus (2 Co 5.18,19 - ¹⁷ Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. ¹⁸ E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;) e purifica o pecador (1 Jo 1.7 - ⁷ Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.).
A obra do Espírito é igualmente indispensável à identidade da Igreja de Cristo: “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito [...] e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pe 1.2). O conjunto desse versículo revela a cooperação trinitária na salvação: o Pai elege, o Filho redime, e o Espírito santifica. O termo “santificação” (gr. hagiasmós) indica separação do pecado e consagração ao serviço do Reino. Sem a ação do Espírito, a Igreja não passa de uma instituição humana. É o Espírito que a vivifica, purifica e conduz em conformidade com Cristo (2 Ts 2.13 - ¹³ Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;).
SINOPSE I
O Pai elege, o Filho redime e o Espírito santifica: a salvação é uma obra trinitária.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
O PAPEL DO ESPÍRITO NA TRINDADE REDENTORA
“A salvação somente começa quando o indivíduo estiver convencido do pecado pessoal. Entendemos que essa ‘convicção’ significa que a pessoa reconhece ter feito o mal e constar como culpada diante de Deus. E é o Espírito Santo quem produz tal convicção, que é a primeira etapa na santificação do indivíduo e a única que não requer o seu consentimento. Jesus referiu-se a este ministério do Espírito quando disse: ‘E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado’ (Jo 16.8-11). Note que Jesus disse que o Espírito convencerá ‘o mundo’. Em outras palavras, o Espírito Santo tem um ministério de convicção entre os inconversos. Ele convence os mundanos de três coisas: (1) que seus pecados, especialmente o pecado da descrença no Filho de Deus, os fez culpados diante de Deus, (2) que a justiça é possível e desejável e (3) que os que não quiserem escutar a voz do Espírito serão julgados por Deus. A tentativa do Espírito em produzir a convicção pode ser resistida (At 7.51), conforme muitas vezes acontece. Há inclusive uma rejeição direta, que é dos réprobos (1Tm 4.2).” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.421,422).
II. A IGREJA E A COMUNHÃO COM A TRINDADE
O amor demonstrado por Deus tornou possível nosso relacionamento com Ele (Jo 3.16). Acerca disso, ensina a Escritura: “conservai a vós mesmos no amor de Deus” (Jd 1.21a). O verbo “conservar” (gr. phyláxate) ressalta urgência e significa “manter; preservar, guardar, permanecer” (Jo 8.51-55 - ⁵¹ Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte. ⁵² Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte. ⁵³ És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem te fazes tu ser? ⁵⁴ Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus. ⁵⁵ E vós não o conheceis, mas eu conheço-o. E, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.). A Escritura admoesta os crentes a zelar pelo amor que Deus tem por nós, o amor que temos por Ele, e o amor que devemos aos irmãos (1 Jo 4.10-12 - ¹⁰ Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados. ¹¹ Amados, se Deus assim nos amou, também nòs devemos amar uns aos outros. ¹² Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.). Estar no amor de Deus implica caminhar na sua vontade e guardar os seus mandamentos (Jo 14.21 - ²¹ Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.). Permanecer neste amor denota verdadeira comunhão, que se manifesta em uma vida de temor ao Senhor (Fp 2.12 - ¹² De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor;). O amor de Deus é, portanto, a fonte e o sustento da comunhão com o Pai e da perseverança da vida cristã (Rm 8.35-39 - ³⁵ Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? ³⁶ Como está escrito:Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia;Somos reputados como ovelhas para o matadouro. ³⁷ Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. ³⁸ Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, ³⁹ Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.).
João revela que é por meio de Cristo que temos acesso ao Pai, à verdade e à vida (Jo 14.6 - ⁶ Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.). Do mesmo modo, Judas exorta os salvos a manterem a esperança gerada pela “misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (Jd 1.21b). Assim, a vida eterna não é apenas uma realidade futura, pois “estar em Cristo” hoje é requisito essencial para essa dádiva (1 Jo 5.11 - ¹¹ E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.). Desse modo, é impossível possuir vida eterna sem ter comunhão com Cristo (1 Jo 5.12 - ¹² Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.).
A comunhão com o Espírito é um aspecto vital para a fé cristã. Judas adverte os crentes a serem edificados “sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo” (Jd 1.20). O versículo evidencia que a vida espiritual genuína não é possível sem a ação constante do Espírito (Gl 5.25 - ²⁵ Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.). A oração no Espírito não se resume a palavras, mas expressa intimidade ativa e dependente da direção divina (Rm 8.26,27 - ²⁶ E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. ²⁷ E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos). O Espírito é quem promove a unidade no Corpo de Cristo (Ef 4.3 - ³ Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.). A comunhão com Ele nos insere na dimensão espiritual onde há reconciliação, perdão e cooperação (Ef 4.30-32 - ³⁰ E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. ³¹ Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, ³² Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.; Fp 2.1,2 - ¹ Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, ² Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.). Assim, a verdadeira unidade cristã não ocorre por meio de celebrações, mas é preservada pelo Espírito, quando os crentes vivem em comunhão e amor sacrificial (Ef 5.1-3 - ¹ Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; ² E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. ³ Mas a fornicação, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos;).
SINOPSE II
A Igreja é sustentada pelo amor do Pai, pela graça do Filho e pela comunhão do Espírito.
III. A IGREJA É ENVIADA PELA TRINDADE
A Trindade age de forma cooperativa no envio da Igreja ao mundo. A missão é uma extensão da comunhão trinitária para alcançar a humanidade com o Evangelho. A origem está no coração do Pai, cujo desejo é que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.4 - ⁴ Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.). Desde o Antigo Testamento vemos Deus chamando e enviando seu povo para ser luz entre as nações (Is 49.6 - ⁶ Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.). No Novo Testamento esse chamado ganha novo vigor por meio da Igreja, instrumento do Pai para proclamar a sua graça (2 Co 5.18-20 - ¹⁸ E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; 19¹⁹ Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. ²⁰ De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.). A missão não é uma ideia tardia, mas um plano eterno do Pai (Ef 1.4,11 - ⁴ Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; ¹¹ Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;). O envio do Filho é o ápice desse propósito, e a Igreja é chamada a participar dessa missão como corpo de Cristo no mundo (Jo 17.18 - ¹⁸ Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.).
O Filho, enviado pelo Pai, agora envia a sua Igreja. Após sua ressurreição, Cristo ordenou: “Portanto, ide, ensinai todas as nações [...] ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19,20). A tarefa da Grande Comissão é uma ordenança proclamadora e um mandato educacional. É responsabilidade da Igreja evangelizar e ensinar a Palavra de Deus (2 Tm 4.2 - ² Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.). Essa ordenança é uma expressão da graça salvadora, levando a mensagem do Reino a todas as pessoas, e “batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19b). O batismo é realizado na autoridade do nome de Jesus (At 2.38 - ³⁸ E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;), mas a fórmula batismal é trinitária — em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Não é apenas uma liturgia, mas também uma confissão pública da fé na obra redentora da Trindade (Ef 4.4-6 - ⁴ Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; ⁵ Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; ⁶ Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.).
A missão da Igreja não pode ser realizada sem a capacitação do Espírito (Lc 24.49 - ⁴⁹ E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.). Ele é quem dá poder e ousadia para testemunhar de Cristo (At 1.8 - ⁸ Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.). Em Atos, vemos o Espírito separando e enviando missionários para o serviço cristão (At 13.2 - ² E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.). Ele não apenas acompanha, mas orienta e dirige a tarefa evangelizadora da Igreja (At 16.6,7 - ⁶ E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. ⁷ E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito não lho permitiu.). É o Espírito quem concede dons espirituais para o exercício eficaz do ministério (1 Co 12.4-7 - ⁴ Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. ⁵ E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. ⁶ E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. ⁷ Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.).
SINOPSE III
A missão da Igreja é trinitária: o Pai envia, o Filho comissiona e o Espírito capacita.
AUXÍLIO DOUTRINÁRIO
A MISSÃO DA IGREJA
“Entendemos que a função primordial da Igreja é glorificar a Deus: ‘quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus’ (1Co 10.31). Isso é feito por meio da adoração, da evangelização, da edificação de seus membros e do trabalho social. A Igreja foi eleita para a adoração e louvor da glória de Deus, recebendo, também, a missão de proclamar o evangelho da salvação ao mundo todo, anunciando que Jesus salva, cura, batiza no Espírito Santo e que em breve voltará. O evangelho é proclamado a homens e mulheres, sem fazer distinção de raça, língua, cultura ou classe social, pois ‘o campo é o mundo’ (Mt 13.38). Jesus disse: ‘Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações’ (Mt 28.19 — ARA), ‘e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra’ (At 1.8). [...] Ensinamos que, para a consecução da sua missão, o Espírito Santo foi derramado sobre a Igreja no dia de Pentecostes, e Cristo concedeu líderes para servir à Igreja: ‘Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo’ (Ef 4.12).” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, pp.122,123).
CONCLUSÃO
A Trindade está presente em toda a história da salvação: desde a nossa eleição, formação, santificação e envio. Por isso, como instituição trinitária, a Igreja é chamada a cumprir seu papel no mundo com poder e fidelidade. Essa Igreja vive, persevera e cumpre sua missão mediante a comunhão com o Deus Triúno. Essa doutrina não é abstrata, mas prática, viva e transformadora.
REVISANDO O CONTEÚDO
A obediência e a purificação contínua.
O amor de Deus.
Pelo Espírito Santo.
A Igreja, corpo de Cristo.
Uma confissão pública da fé na obra redentora da Trindade.
REVISTA ENSINADOR CRISTÃO
A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO
Chegamos ao final de mais um trimestre, e esperamos que a sua classe tenha aprendido um pouco mais sobre as três Pessoas da Trindade, bem como sobre o seu papel redentor, provedor e condutor da igreja. Nesta última lição, veremos a relação da Trindade com a Igreja no desenvolvimento do seu papel ministerial neste mundo. No final de Seu ministério terreno, Jesus disse a Seus discípulos que o cumprimento da missão de evangelizar o mundo contaria com a presença de “outro Consolador”, que estaria com eles ensinando e confirmando a mensagem com poder e autoridade (Jo 14.16,26). Estes versículos ressaltam que a obra realizada pela Igreja é coordenada pelo Espírito Santo. Lucas endossa em Atos que nossos primeiros irmãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.42). Conforme Stanley Horton, na obra A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento (CPAD), “a doutrina dos apóstolos não era apenas teórica, no entanto. O Espírito Santo era realmente quem ensinava. Ele usava o ensinamento da verdade para levá-los à comunhão cada vez mais estreita, não meramente uns com os outros, mas primeiramente com o Pai e o Filho (1Jo 1.3,7; 1Co 1.9). [...] Essa comunhão, essa união no Espírito, deu-lhes fé, amor e solicitude uns pelos outros, que os levava a compartilhar seus bens com os que precisavam (Tg 2.15,16; 1Jo 3.16-18; 4.7,8,11,20). Nesse sentido, ‘tinham tudo em comum’ (At 2.44,45). [...] A atuação do Espírito Santo na maioria dos crentes encorajava, assim, sua obra na minoria. As necessidades e os perigos que tinham em comum levavam-nos a congregar-se juntos. Era necessário o testemunho no Templo. Também era preciso o testemunho nos grupos que se reuniam nos lares. Desde o início, o Espírito Santo os ajudava a manter o equilíbrio sem incorrer nas formas vazias do ritualismo” (1993, pp.161,162). Observe que apesar da simplicidade dos irmãos ou mesmo da pouca estrutura logística que a igreja dispunha nos primeiros dias, nutria-se em seus corações o que havia de mais essencial para o cumprimento da missão. Era uma igreja marcada pelos princípios doutrinários deixados por nosso Senhor Jesus, que ainda estavam “frescos” na memória dos apóstolos; e, sobretudo, pelo amor cristão, marca principal do apostolado, pela qual o mundo saberia que eles eram discípulos do Senhor Jesus (Jo 13.35). Nesse contexto, o Espírito Santo assegurava a confiança para continuarem pregando a mensagem do Evangelho, quer trazendo à memória os ensinamentos de Jesus, quer confirmando a autoridade da mensagem por meio da operação de maravilhas e cura dos enfermos (At 5.12-16; Rm 15.19).

Comentários